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Como reduzir a pegada de carbono em obras

A construção civil é uma das atividades que mais geram impactos ambientais no mundo. Estima-se que o setor seja responsável por grande parte das emissões globais de CO₂, considerando todo o ciclo: extração de matérias-primas, transporte, execução da obra, uso da edificação e descarte de resíduos. 

Assim, diante desse cenário, reduzir a pegada de carbono tornou-se uma prioridade. Não apenas para cumprir exigências regulatórias, mas para construir um futuro mais sustentável, competitivo e eficiente.

Porém, a boa notícia é que existem diversas estratégias capazes de diminuir significativamente as emissões sem comprometer os prazos, custos ou qualidade da obra. Pelo contrário: quando aplicadas de forma inteligente, essas práticas aumentam a eficiência, reduzem desperdícios e agregam valor ao empreendimento.

Materiais de baixo impacto ambiental

A seleção dos materiais é um dos fatores mais determinantes na pegada de carbono de uma obra. Ou seja, optar por alternativas com menor emissão no ciclo de vida faz toda a diferença. Alguns exemplos:

  • Concreto com adições minerais, como escória de alto-forno e pozolanas, que reduzem a quantidade de cimento — o maior emissor da cadeia.
  • Estruturas metálicas ou em madeira engenheirada (CLT e MLC), que apresentam emissão menor e, no caso da madeira, ainda armazenam carbono.
  • Materiais reciclados ou recicláveis, como aço, blocos de solo-cimento e revestimentos com composição sustentável.
  • Produtos regionais, que diminuem as emissões geradas pelo transporte.

Além do impacto ambiental, esses materiais geralmente oferecem melhor desempenho térmico, resistência e durabilidade.

Planejamento eficiente para evitar retrabalho e desperdício

Cada retrabalho representa horas a mais de máquinas ligadas, deslocamento de equipes, consumo adicional de materiais e geração de resíduos — tudo isso aumenta o CO₂ emitido.

Dessa forma, ferramentas como BIM (Modelagem da Informação da Construção), compatibilização de projetos e cronogramas integrados ajudam a:

  • Minimizar erros antes que cheguem ao canteiro;
  • Planejar a logística de forma eficiente;
  • Reduzir o consumo de materiais;
  • Aumentar a previsibilidade e o controle da obra.

Um bom planejamento é, portanto, uma das maneiras mais rápidas e eficazes de reduzir a pegada de carbono.

Energia limpa no canteiro de obras

Substituir, sempre que possível, fontes de energia convencionais por alternativas mais sustentáveis traz impacto direto nas emissões. Dessa maneira, entre as soluções estão:

  • Uso de painéis solares temporários para fornecer energia a escritórios móveis, iluminação e pequenas máquinas.
  • Equipamentos elétricos ou híbridos, que reduzem o uso de diesel.
  • Sistemas inteligentes para otimizar a iluminação e o uso de energia.

Mesmo pequenas iniciativas, como lâmpadas LED e sensores de presença no canteiro, geram economia e menor impacto ambiental.

Gestão de resíduos como estratégia de redução de carbono

A construção é uma das principais geradoras de resíduos sólidos urbanos. Assim, separar, reaproveitar e reciclar não é apenas uma exigência ambiental — é uma forma concreta de reduzir emissões.

Boas práticas incluem:

  • Estocagem organizada de materiais para evitar desperdícios.
  • Parcerias com cooperativas e empresas de reciclagem.
  • Aproveitamento de sobras para outras etapas da obra.
  • Planejamento para reduzir cortes excessivos e perdas.

Quanto menos resíduos enviados a aterros, menor o impacto climático da obra.

Projetos que priorizam eficiência energética

Uma construção com eficiência energética consome menos durante toda a vida útil da edificação. Além disso, isso também conta na pegada de carbono total.

Algumas estratégias:

  • Uso adequado de ventilação cruzada, iluminação natural e sombreamento.
  • Instalação de equipamentos de alta eficiência, como ar-condicionado inverter.
  • Aplicação de isolamentos térmicos adequados.
  • Automação predial para monitoramento de consumo.

Ao pensar de forma integrada, arquitetos e engenheiros conseguem reduzir drasticamente o impacto ambiental do empreendimento.

Por fim, reduzir a pegada de carbono em obras já não é uma opção — é uma necessidade. Porém, ao contrário do que muitos imaginam, isso não significa processos mais caros ou complexos. Significa, sim, mais inteligência, planejamento e escolhas conscientes.

Ao adotar materiais sustentáveis, otimizar o planejamento, implementar energia limpa, gerenciar resíduos e priorizar eficiência energética, qualquer obra — residencial, comercial

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